Cobertura encerrada
Estamos encerrando a cobertura deste domingo dos ataques de EUA e Israel ao Irã e a retaliação de Teerã. Retomaremos com novas informações na segunda. Obrigado pela audiência.
Ao menos três militares americanos morreram em operação, e presidente americano diz que mortes são esperadas. Irã diz que novo aiatolá será escolhido nos próximos dias e promete manter campanha contra países aliados de Washington no Oriente Médio.
Estamos encerrando a cobertura deste domingo dos ataques de EUA e Israel ao Irã e a retaliação de Teerã. Retomaremos com novas informações na segunda. Obrigado pela audiência.
Donald Trump divulgou vídeo neste domingo no qual promete seguir atacando o Irã : “As operações de combate continuam com força total e continuarão até que todos os nossos objetivos sejam alcançados.”
O presidente voltou a afirmar que “infelizmente é provável que haja mais” baixas americanas, acrescentando: “É assim que as coisas são.”
Os EUA informaram que ao menos três militares americanos morreram na operação de sábado.
Trump repetiu o chamado à Guarda Revolucionária, o corpo de elite da segurança iraniana, para que se rendam. “Mais uma vez, exorto a Guarda Revolucionária e a polícia militar iraniana a deporem as armas e receberem imunidade total ou enfrentarem morte certa. Será morte certa, não será algo bonito.”

Crédito, Donald Trump/Truth Social
Após o Exército dos Estados Unidos ter anunciado a morte de três militares americanos em combate durante a operação contra o Irã, o presidente Donald Trump disse que espera "baixas em uma operação como essa", segundo a NBC News. "Temos três mortos, esperamos baixas. Mas, no fim, será ótimo para o mundo."
As três mortes de americanos são as primeiras fatalidades conhecidas desde que os EUA começaram a atacar o Irã no sábado. Outros cinco ficaram "gravemente feridos", segundo o Exército dos EUA. Outros sofreram ferimentos leves e estão retornando ao serviço.
Questionado sobre qual resultado gostaria de ver, Trump teria acrescentado: "Há muitos resultados positivos. O primeiro é decapitar [a liderança iraniana], livrar-se de todo o seu grupo de assassinos e bandidos. E há muitos, muitos resultados. Poderíamos fazer a versão curta ou a versão longa."
Trump disse à NBC News que autoridades iranianas estavam interessadas em continuar as negociações com os EUA, mas se recusou a dizer se os EUA suspenderiam os ataques por causa disso. "Não sei se eles podem nos satisfazer", disse Trump, segundo a NBC.

Crédito, Reuters
Em seu canal no Telegram, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmam que “desmantelaram a sede do combate do Irã”, onde disseram que estavam presentes agentes do regime iraniano.
O governo israelense diz que centros de comando, incluindo quartéis-generais da Guarda Revolucionária Islâmica e da Força Aérea, além de setores de inteligência, foram atingidos em uma "onda de ataques em larga escala".
Em paralelo, os Estados Unidos disseram ter atacado instalações de mísseis balísticos iranianas na noite passada. Eram aviões "armados com bombas de 907 kg", segundo o governo americano.
O acesso à internet no Irã foi severamente restringido, horas após o início dos ataques em larga escala dos EUA contra Israel e dos ataques retaliatórios de Teerã neste sábado (28/2).
Dados da Kentik, empresa que monitora o tráfego global de internet, indicam que cerca de 99% do acesso do país à internet global foi cortado. Isso se reflete nas redes sociais, onde apenas um número limitado de contas, a maioria pertencente a autoridades iranianas ou outras pessoas de confiança, parece permanecer ativo.
Relatórios sugerem que o acesso a sites e serviços domésticos, como plataformas de mensagens internas, permanece disponível, o que levanta a possibilidade de que as redes internas ainda estejam funcionando, apesar da interrupção quase total das conexões internacionais.
O Irã já havia imposto bloqueios generalizados da internet durante períodos de agitação social, como em janeiro de 2026.
Após os recentes protestos, o acesso foi completamente cortado em todo o país. Quando a conectividade global foi restabelecida, o tráfego retornou a apenas cerca de 60% dos níveis anteriores.
Nas últimas 24 horas, alguns usuários conseguiram usar VPNs para se conectar ao mundo exterior, já que uma pequena fração do acesso internacional ainda persiste.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede social Truth Social que suas forças armadas "destruíram e afundaram" nove navios da marinha iraniana. Cerca de uma hora depois, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que três petroleiros dos EUA e do Reino Unido foram "atingidos por mísseis e estão em chamas", segundo a Agência de Notícias da República Islâmica.
Os EUA e o Reino Unido não confirmaram essas informações.
A UK Maritime Trade Operations afirma em seu resumo diário, publicado às 17h22 do horário local, que "múltiplos incidentes de segurança marítima foram relatados" na área.
Segundo o relatório, duas embarcações foram atingidas por "um projétil desconhecido", que causou incêndios. Não está claro de onde esses navios são ou onde estão registrados.
Os petroleiros foram atingidos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que agora está fechado. O estreito é considerado uma das rotas comerciais marítimas mais importantes do mundo, principalmente para o trânsito de petróleo.
Nas últimas horas, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu entrevistas a diversos veículos americanos sobre a operação militar em curso no Irã.

Crédito, Casa Branca
Moradores da Jordânia enviaram à BBC vídeos de suas janelas e portas tremendo enquanto se abrigam dentro de casa com os estrondos de interceptações de mísseis sobrevoando suas cabeças.
A Diretoria de Segurança Pública da Jordânia afirma que, desde a manhã de sábado, atendeu a 101 relatos de queda de objetos e estilhaços em todo o país, sem feridos.
“É perturbador, pois não sabemos o que está acontecendo. Estamos no meio de tudo”, diz Fadia, em Amã. “Economicamente, isso vai nos afetar a longo prazo e também o turismo, mas, neste momento, já está nos afetando. Espero que eles consigam chegar a um acordo sem uma escalada ainda maior.”
A Jordânia é um parceiro importante dos Estados Unidos. Washington teria enviado dezenas de aeronaves militares, incluindo jatos furtivos avançados, para a base aérea de Muwaffaq Salti antes dos ataques ao Irã.
“A situação é muito difícil para toda a região”, afirma Sameer Fakhouri, que prevê um impacto duradouro nas alianças internacionais e se preocupa com o comércio. “A continuidade das negociações teria sido preferível. Agora, ninguém pode prever o desfecho desta guerra.”
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou ter "dado instruções para continuar com a campanha" contra o Irã durante uma reunião com seu ministro da Defesa, chefe do Estado-Maior e chefe do serviço de segurança Mossad.
"Nossas forças estão agora atingindo o coração de Teerã com força crescente, e isso só aumentará ainda mais nos próximos dias", disse ele em pronunciamento feito do terraço do Kirya, em Tel Aviv.
"Contudo, estes são dias dolorosos. Ontem, aqui em Tel Aviv, e agora em Beit Shemesh, perdemos pessoas queridas. Meus sentimentos estão com as famílias e, em nome de todos vocês, cidadãos de Israel, envio meus melhores votos de rápida recuperação aos feridos", acrescentou.
Ele afirmou que Israel está mobilizando "toda a força das Forças de Defesa" em uma campanha para "garantir nossa existência e nosso futuro".

Crédito, GPO
As pessoas no Irã compartilharam suas reações à morte do líder supremo Khamenei com a BBC Persian. Todos os nomes são pseudônimos, por motivos de segurança.
"As pessoas se sentem ansiosas e eufóricas ao mesmo tempo", diz Sahar, em Teerã. "A cada explosão, alguns gritam de alegria de suas janelas. As comemorações começaram no exato momento em que ouviram os ataques."
Pouya, em Pardis, diz que "parece que o próprio ar se purificou desde a morte [de Khamenei], como se algo impuro tivesse sido removido dele".
As pessoas estavam "incrivelmente felizes ontem à noite", diz Amir, em Teerã, que sugere que o Estado ainda está tentando exercer algum nível de controle.
"Acho que o momento do anúncio da morte de Khamenei na televisão estatal foi deliberado, para impedir que as pessoas fossem às ruas protestar. Eles anunciaram pouco antes da chamada para a oração, nas primeiras horas da manhã."
Sina, em Karaj, diz que as pessoas estão preocupadas com a possibilidade de a opressão retornar: "A principal preocupação é que os Estados Unidos façam um acordo e as autoridades voltem a oprimir a população". Ele diz estar preparado para "ir às ruas e protestar", se necessário, como o presidente americano Donald Trump têm incentivado o povo iraniano a fazer.
Mas enquanto muitos comemoram, outros se reuniram em Teerã para lamentar a morte de Khamenei. Em Teerã, imagens de agências de notícias mostram pessoas nas ruas em luto, algumas segurando fotos de Khamenei.

Crédito, EPA
Um navio de guerra iraniano foi afundado por forças americanas, informou o Comando Central dos Estados Unidos.
Em uma publicação no X, o Comando Central afirma que as forças americanas atingiram uma corveta da classe Jamaran durante o início da Operação Epic Fury, no sábado.
"O navio está afundando no fundo do Golfo de Omã, próximo ao cais de Chah Bahar", acrescentou o órgão americano.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) divulgaram imagens que mostram um ataque a dois prédios no norte de Teerã, pertencentes à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
Os prédios abrigam o quartel-general da Basij, a força paramilitar voluntária da IRGC, e Thar-Allah, o centro de comando da IRGC.
O vídeo, que geolocalizamos, mostra múltiplas explosões de grande porte no local, seguidas por densas nuvens de poeira.
Outro prédio no quartel-general de Thar-Allah foi alvo das IDF no ano passado, durante a Guerra dos Doze Dias, no ano passado.
Na época, as IDF divulgaram imagens de drones da estrutura danificada, e fotos de satélite tiradas no mês passado mostram que o local já foi liberado.
Uma nova foto de satélite que analisamos, tirada hoje pela manhã, não revela a extensão dos danos causados neste último ataque.

Crédito, Reprodução
O Comando Central dos EUA (Centcom) afirma que o porta-aviões USS Abraham Lincoln não foi atingido por mísseis iranianos.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) havia declarado anteriormente que atacou a base com quatro mísseis balísticos, segundo a mídia estatal iraniana.
"Os mísseis lançados nem chegaram perto", afirma o Centcom, acrescentando que o porta-aviões continua lançando aeronaves.
O USS Abraham Lincoln é o quinto porta-aviões da classe Nimitz da Marinha dos Estados Unidos. O Lincoln inclui os mais modernos caças furtivos F-35, capazes de despistar os radares dos oponentes.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmam ter lançado mais uma onda de ataques contra Teerã. A IDF diz que o ataque está se concentrando no "coração" da capital iraniana.
A declaração segue uma atualização semelhante divulgada pela IDF no início da manhã. A força acrescenta que "os esforços de interceptação continuam em todos os momentos".
Um oficial iraniano afirmou que 153 pessoas morreram após uma escola feminina em Minab ser atingida por mísseis nos ataques deste sábado (28/2), segundo a agência de notícias Mizan, ligada ao judiciário iraniano.
Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel disse "não ter conhecimento" de qualquer operação na área. "Também vi americanos dizendo que estão investigando o incidente", ele acrescentou.
Outro oficial iraniano havia declarado anteriormente que a escola, localizada a cerca de 600 metros da base da Guarda Revolucionária Islâmica, foi "alvo de três ataques com mísseis".
A BBC verificou vídeos do ocorrido, mostrando fumaça saindo de um prédio enquanto multidões se aglomeravam nas proximidades e pessoas gritavam.
No entanto, não foi possível verificar o número de mortos de forma independente, pois veículos de imprensa internacionais frequentemente têm seus vistos negados para o Irã, o que limita a coleta de informações no país.

Crédito, Reuters
Três militares americanos foram mortos em combate, informou o Comando Central dos EUA (Centcom).
Essas são as primeiras mortes de americanos confirmadas desde o início dos ataques dos EUA contra o Irã no sábado.
Outros cinco militares ficaram gravemente feridos, segundo o Exército americano. Os nomes dos três soldados mortos não serão divulgados até 24 horas após a notificação de suas famílias, acrescentou o Centcom.
Ao anunciar a operação americana contra o Irã, o presidente Donald Trump alertou que "vidas de heróis americanos podem ser perdidas e podemos ter baixas". "Isso acontece com frequência em guerras", disse

Crédito, Shutterstock
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que três pessoas morreram em ataques iranianos desde sábado.
Em comunicado, o ministério afirmou que já lidou com 167 mísseis e 541 drones iranianos até o momento.
Desses drones, 35 caíram em território do país, resultando em três mortes e 58 feridos leves, além de “danos materiais”.
Já o Ministério da Defesa do Kuwait afirmou que sua força aérea interceptou e destruiu 97 mísseis balísticos e 283 drones desde que o Irã lançou ataques contra o país, segundo a agência oficial de notícias do Kuwait.
Uma pessoa foi morta e 32 ficaram feridas “em meio aos acontecimentos regionais em curso”, informou a agência, citando o Ministério da Saúde do país.

Crédito, AFP
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou em comunicado neste domingo que atacou o porta-aviões USS Abraham Lincoln com quatro mísseis balísticos, segundo a mídia estatal iraniana.
O USS Abraham Lincoln é o quinto porta-aviões da classe Nimitz da Marinha dos Estados Unidos. O navio conta com os mais recentes caças F-35, capazes de evitar radares inimigos.
O grupo de ataque americano também inclui três destróieres equipados com mísseis de cruzeiro Tomahawk para ataque terrestre e normalmente é acompanhado por um submarino de propulsão nuclear, que utiliza o mesmo tipo de armamento.
De acordo com imagens de satélite verificadas pelo BBC Verify, o porta-aviões foi avistado em 15 de fevereiro na costa de Omã.
Em entrevista exclusiva à emissora Al Jazeera, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que, após a morte de Ali Khamenei, um novo líder supremo pode ser escolhido em “um ou dois dias”.
A declaração ocorre depois de Teerã anunciar o aiatolá Alireza Arafi como liderança interina. Segundo Araghchi, ele “atuará como responsável pela liderança até que um novo líder seja eleito”.
Ele acrescentou que os ataques do Irã são “um ato de autodefesa e retaliação à agressão americana contra nós”.

Crédito, Vatican media via Reuters
Após a morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, o Irã anunciou neste domingo (1º/3) o aiatolá Alireza Arafi como seu líder interino, segundo a agência de notícias iraniana ISNA.
Arafi foi nomeado como membro jurista do Conselho de Liderança do Irã, órgão encarregado de cumprir as funções do líder supremo até que seja eleito um novo líder.
A escolha formal de um novo líder supremo não ocorre por voto direto, mas por um órgão composto por 88 clérigos seniores conhecido como Assembleia dos Peritos.
Eles são eleitos por voto direto a cada oito anos. De acordo com a Constituição iraniana, esses clérigos devem escolher o novo líder supremo o mais rápido possível — mas isso pode se mostrar difícil por razões de segurança enquanto o país estiver sob ataque.
Enquanto a escolha não ocorre, Arafi fará parte do Conselho de Liderança temporário ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.Vingança
Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, divulgou uma declaração, lida pela mídia estatal, prometendo vingança pela morte de Khamenei, de 86 anos.
"A República Islâmica do Irã considera buscar justiça e vingança contra os perpetradores e aqueles que ordenaram esse crime histórico como seu dever e direito legítimo, e empregará todas as suas capacidades para cumprir essa grande responsabilidade e obrigação", diz a declaração.
O Irã classificou os ataques dos EUA e Israel como não provocados e ilegais e respondeu com o disparo de mísseis contra Israel e pelo menos outros sete países, incluindo Estados do Golfo que abrigam bases militares americanas.