Como conflito no Oriente Médio causa o maior caos aéreo global desde a pandemia de covid
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- Author, Rafael Abuchaibe
- Role, BBC News Mundo
- Tempo de leitura: 4 min
Milhares de passageiros continuam presos nos países do Golfo Pérsico, desde que a operação conjunta deflagrada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã forçou o fechamento de vários dos aeroportos mais importantes da região.
Um deles é o aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que cancelou 100% das suas operações no domingo (1/3), começando a restabelecer lentamente os voos no dia seguinte.
O aeroporto de Dubai registra o maior tráfego aéreo internacional do mundo, com cerca de 1 mil voos por dia, segundo a agência de notícias Reuters.
O efeito dos cancelamentos foi particularmente grave no domingo, o dia imediatamente seguinte ao ataque ao Irã.
A agência AFP informou que as linhas aéreas da região (incluindo a Etihad, Emirates e a Qatar Airlines) precisaram cancelar entre 30 e 41% do total dos seus voos.
Na terça-feira (3/3), o portal digital Flightradar24, que acompanha o tráfego aéreo em todo o mundo, relatou que diversos voos decolaram dos Emirados Árabes Unidos tomando a rota em direção ao sul, evitando totalmente o Golfo Pérsico.
Trata-se do transtorno mais grave ocorrido em relação ao tráfego aéreo desde o início da pandemia de coronavírus, em 2019, segundo a Reuters.
Operações sob incerteza
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Os cancelamentos começaram a diminuir, mas ainda eram elevados na terça-feira, segundo o portal Flightaware. Eles se concentraram nos aeroportos de Dubai, Tel Aviv (Israel), Bahrein, Doha (Catar) e Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos).
Somente na terça-feira (3/3), o aeroporto de Dubai precisou cancelar 424 pousos e 413 decolagens.
Por outro lado, as autoridades israelenses decidiram manter fechado até quarta-feira (4/3) o aeroporto Ben Gurión, da cidade de Tel Aviv, e iniciar as operações com apenas um voo de passageiros por hora.
Considerando os fechamentos, grande parte do tráfego aéreo começou a ser desviado para o aeroporto da capital da Arábia Saudita, Riad, aumentando o tráfego de passageiros por aquele terminal.
Paralelamente, as passagens atingiram preços extraordinários.
Um comerciante francês contou à agência Reuters que "quando passagens que custam entre 500 e 800 euros (R$ 3 mil a R$ 4,9 mil) aumentam para 5 mil ou 6 mil euros (R$ 30,6 mil a R$ 36,7 mil), acho bastante desagradável".
Voos humanitários
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As preocupações relativas à segurança levaram diversos países europeus a iniciar planos de evacuação, para retirar seus cidadãos do Oriente Médio.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, declarou que havia cerca de 400 mil cidadãos franceses afetados pelo conflito. Eles incluem residentes e pessoas com dupla nacionalidade.
"Estamos preparando voos charter para beneficiar os mais vulneráveis", informou Barrot.
Já a Alemanha anunciou na segunda-feira (2/3) o envio de aviões para a Arábia Saudita e para Omã. Eles irão retirar cerca de 30 mil cidadãos alemães da região.
O Reino Unido e a Espanha também anunciaram a decolagem de voos humanitários para retirar seus cidadãos do Oriente Médio.
Por outro lado, os Estados Unidos afirmaram que, nos últimos dias, cerca de 9 mil americanos haviam voltado para casa, incluindo cerca de 300 que estavam em Israel.
O país também confirmou que o Departamento de Estado americano vem obtendo ativamente voos humanitários para mais pessoas. Eles irão sair da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e da Jordânia.
As opções de voos comerciais continuam disponíveis na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Egito, segundo o Departamento de Estado. O organismo declarou que está "ajudando ativamente os cidadãos americanos a reservar estas passagens".
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